10/06/2018 Touca gelada reduz queda de cabelo em pacientes com câncer

Sistema de resfriamento do couro cabeludo atua durante a quimioterapia e diminui a alopecia relacionada ao tratamento


A queda do cabelo durante o tratamento do câncer, um dos efeitos colaterais mais traumatizantes da quimioterapia, pode ser reduzida com uma nova tecnologia presente em diversas clínicas de oncologia de todo o país e que já pode ser encontrada em Joinville. O sistema, criado no Reino Unido pela empresa Paxman, pioneira no mundo, consiste em um equipamento para resfriamento da cabeça que é usado antes, durante e depois da aplicação da quimioterapia e que vem sendo utilizado por pacientes do Centro de Hematologia e Oncologia – C.H.O. Em 50% dos casos, os pacientes tratados relataram a diminuição da alopecia a ponto de não precisar usar lenço ou peruca.

Após passar pelo tratamento do câncer de mama em 2016, ao saber que a doença voltou a consultora de RH Claudia Henn Prestini, de 37 anos, ficou muito abalada. Na época, raspou os cabelos antes mesmo de começarem a cair. Desta vez, as quatro sessões de quimioterapia estão sendo acompanhadas pelo tratamento do sistema Paxmann. “Tem sido bem mais fácil passar por isso, pois ainda vejo meus cabelos. Estou emocionalmente abalada por conta da doença, mas minha autoestima permanece”, conta.

A queda de cabelo causa danos que vão muito além do aspecto visual nos pacientes. As consequências são graves e estão ligadas diretamente a problemas de autoestima, depressão e, em alguns casos, até desistência do tratamento. 

 Para o oncologista do C.H.O, dr Celio Kussumoto, a utilização do sistema de resfriamento é um diferencial durante a quimioterapia. “Passar pelo tratamento com a possibilidade de prevenir ou minimizar a queda dos cabelos é uma mudança que causa impacto. Com a manutenção dos mesmos, especialmente em mulheres, ocorre uma elevação da autoestima e isso auxilia os pacientes a enfrentarem o tratamento”, destaca.

Entenda como funciona o sistema

O sistema Paxman, uma máquina ligada a uma touca especial, resfria o couro cabeludo do paciente a uma temperatura entre 18ºC e 22ºC, o que permite a menor absorção dos fármacos nessa região e, por isso, diminui a queda do cabelo. Por ser um equipamento médico, estudos garantem a segurança do paciente e a eficácia do tratamento, sendo o único no Brasil com aprovação da FDA (agência que regula os medicamentos nos Estados Unidos) e da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Em Santa Catarina o sistema é encontrado com exclusividade no C.H.O.

Por inibir a absorção das drogas na região do couro cabeludo, o resfriamento não é indicado para os tipos de câncer hematológicos ou para alguma alergia ao frio. Desde que surgiu, o sistema Paxman tem sido mais usado em mulheres que sofrem com câncer de mama, mas já começa a ser aplicado em homens e em outros tipos de câncer sólidos.

Mais de 100 mil pessoas em 64 países já utilizaram o sistema Paxman desde que foi criado em 1997. No Brasil, cerca de mil pacientes já fizeram uso do método nos principais centros de referências, como Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Rede D´Or e Grupo Oncoclínicas, além das clínicas privadas. Apesar de ter chegado ao país em 2013, pelo desconhecimento da técnica, ainda não é usado como rotina. Para utilizar o sistema, a Paxman não apenas comercializa o equipamento, mas treina os técnicos responsáveis pela aplicação do tratamento. “O treinamento correto dos operadores do equipamento é essencial para garantir a eficácia do tratamento, que só funciona bem se for usado sem interrupção do início ao fim da quimioterapia”, explica Gustavo Spritzer, responsável pela Paxman no Brasil.

A eficácia na redução da queda de cabelos foi comprovada por dezenas de estudos realizados pela empresa britânica ao longo de mais de 20 anos. Apesar do número de pacientes com algum efeito colateral ser quase insignificante, as únicas reações que puderam ser observadas foram dor de cabeça, frio e náusea, mas têm sido reduzidas com a evolução das novas gerações de toucas.

A aplicação do sistema é simples: pacientes vestem uma touca anatômica que fica conectada diretamente a uma máquina. A touca é colocada cerca de 45 minutos antes e não pode ser retirada até uma hora e meia depois da infusão das drogas para o câncer. O procedimento completo permite que o couro cabeludo fique estavelmente resfriado, o que causa diminuição do fluxo sanguíneo nos folículos capilares e evita ou reduz a perda dos fios.


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